Bolo de creme vegano
A primeira vez que tentei fazer este bolo, deixei a massa no forno até quase virar farofa nas bordas. E não estou mentindo, tentei cortá-lo com a faca e tirei metade dele, farelos. Bebi duas xícaras de café e disse que não ia deixar assim, vou tentar até sair certo. Desde então, fiz várias vezes, especialmente quando vem alguém que não come ovos ou leite. É o tipo de bolo que você faz quando não está com vontade de complicações, nem de ingredientes sofisticados. Sério, às vezes uso o que encontro no armário, mas ainda assim fica doce e realmente gostoso. Tem cobertura, tem creme, a massa fica molhadinha, ou seja, você não fica com algo seco na boca, como me aconteceu com outras versões de "sem ovos". Eu gosto dele gelado na geladeira, para sentir aquele creme levemente firme, quase como nos bolos antigos de casamento, se você se lembra. Sei que muitos dizem que é pesado, que tem muito creme, mas... sejamos sinceros, uma fatia não matou ninguém. Uma vez tive convidados e eles foram embora com a caixa, então eu digo que vale a pena.
Agora, para quem quer começar e não tem paciência: não é um bolo rápido, mas também não fica horas na panela. Deve levar cerca de duas horas, incluindo esfriar e colocar a cobertura (se você não estiver com pressa, no dia seguinte fica ainda melhor). Para uma forma grande, tipo a do forno, rende cerca de 18-24 porções, dependendo de quão generoso ou econômico você corta as fatias. Eu diria que é um nível médio, não precisa de habilidades extraordinárias, apenas não se apresse em tirar a massa antes de estar pronta e não esqueça do sal no creme (sim, coloque uma pitada, faz diferença).
Por que eu faço essa combinação com frequência? É fácil de fazer e se você não tiver ovos ou leite em casa. Não precisa bater claras em neve, não precisa derreter chocolate em banho-maria. Se você se desapegou das guloseimas da infância, este bolo te salva. É barato, pois não tem nada caro. E a margarina, mesmo que alguns digam que é pesada, eu gosto. Tentei fazer com manteiga, mas não tem a mesma vibe retrô. Além disso, combina com qualquer refeição, seja de jejum ou não, a falta de ovos não é percebida de jeito nenhum. É bom com um chá ou um café forte, e se conserva por alguns dias sem secar (não garanto se você tiver crianças pequenas em casa, porque desaparece instantaneamente).
Ingredientes. Veja que todos são simples e a maioria você provavelmente já tem em casa. Não precisa de balança especial, uso a caneca clássica de 250 ml.
Para a massa:
– 3 xícaras de farinha (cerca de 375-390 g, se você for mais exigente)
– 1 xícara e meia de açúcar (300-320 g, mas não tem problema se você tiver 20 g a menos)
– 2 colheres de sopa de cacau (não “com uma colher cheia”, embora eu tenha vontade de colocar)
– 1 pacote de fermento em pó (10 g, eu prefiro não misturá-lo diretamente com os líquidos)
– 2 colheres de chá de bicarbonato (pode ser uma colher e meia, para não ter gosto amargo)
– 1 pitada de sal (realça o sabor, não seja econômico)
– 2 xícaras de água (500 ml, não uso água mineral embora tenha tentado, não vi diferença)
– 1/2 xícara de óleo (120 ml, de girassol, para não ter cheiro forte)
– 2 colheres de chá de vinagre (uso simples, aquele do pote, não de maçã, serve assim mesmo)
O papel dos ingredientes, para quem tem curiosidade:
A farinha mantém tudo junto, o açúcar dá volume e doçura, o cacau faz a massa levemente amarga, o fermento com o bicarbonato ajuda a crescer, a água é o “líquido” base, o óleo dá um pouco de maciez e o vinagre ajuda a ativar o bicarbonato. O sal, sim, realça o sabor.
Para a calda:
– 150 g de açúcar (eu gosto de caramelizar, não de colocar direto na água)
– 250 ml de água
– 1 frasco de essência de rum (ou a gosto, eu coloco bastante, para lembrar a infância)
O papel: amolecer a massa, para você não ficar com um bolo seco.
Para o creme:
– 400 g de margarina (tem que ser em pacote, não em caixa, porque é mais firme)
– 300 g de açúcar de confeiteiro (menos se você não gosta tão doce)
– 4 colheres de sopa de cacau
– 1 essência de rum (também, coloque a gosto)
– 1 pitada de sal (não está nas receitas antigas, mas eu gosto)
– 1 colher de sopa de café moído (para decorar, não no creme base)
O papel: a margarina mantém tudo junto e dá aquela textura “densa”, o açúcar de confeiteiro a torna fina, o cacau, evidentemente, dá o gosto de chocolate, a essência para o aroma, o sal intensifica e o café, apenas no final, para quem quiser.
Para a cobertura:
– 150 g de açúcar
– 1 colher de sopa de cacau
– 60 ml de água
O papel: uma camada fina, brilhante, só para dar um aspecto de bolo sério.
Modo de preparo. Eu faço assim, talvez para você funcione de outra forma, veja você ao longo do processo.
1. A massa
Em uma tigela grande, coloco a farinha, o açúcar, o fermento, o bicarbonato, o sal e o cacau. Misturo com um batedor, para não ficar grumos de cacau (já me aconteceu, e não se dissolve ao assar, ficam manchas). Separadamente, misturo a água, o óleo e o vinagre, por cerca de 10 segundos com um garfo. Não coloco os líquidos diretamente sobre os secos, mas despejo aos poucos, cerca da metade, misturando delicadamente com uma colher de pau (não use batedeira, não é necessário), depois o restante. Importante: não misture demais, apenas para homogeneizar. Se você “bater” demais a massa, o bolo sai mais denso, como um bolo de frutas mal feito.
Espalho toda essa mistura na forma untada com um pouco de óleo e polvilhada com farinha. A forma de forno clássica, 30x40 cm. Nivelando a mistura com o fundo de uma colher, delicadamente, para não romper a massa. Coloco no forno pré-aquecido a 175-180°C, fogo médio. Para mim, levou cerca de 35-40 minutos, mas testei no final com um palito, para sair limpo do meio. Se você se empolgar e tirar muito cedo, o meio desaba. Deixo a massa esfriar na forma, não a tiro, porque é quebradiça e se rompe facilmente quando está quente.
2. A calda
Enquanto a massa esfria, começo a calda. Em uma panela, coloco o açúcar em fogo médio, deixo caramelizar levemente (não deixo queimar, porque fica amargo). Quando estiver levemente dourado, despejo a água com cuidado (cuidado com o vapor, salpicos e respingos, não se coloque em cima como eu, porque você pode se queimar). Deixo ferver em fogo baixo até dissolver todo o açúcar caramelizado. Desligo, deixo esfriar por cerca de 10 minutos, depois coloco a essência de rum. A calda precisa estar fria quando você despeja sobre a massa, caso contrário, o bolo desmancha e você fica com uma sopa de chocolate.
3. Molhando a massa
Com uma colher ou pincel, cuidadosamente, despejo a calda sobre toda a superfície. Se parecer que tem muita calda, não coloque tudo, mas eu gosto que fique bem molhadinho. Deixo em temperatura ambiente por cerca de uma ou duas horas, coberto com um filme plástico, para absorver todo o líquido.
4. O creme
A margarina, em temperatura ambiente, se você esquecer de tirar da geladeira, vai ser difícil, porque não bate bem. Eu a corto em pedaços pequenos, coloco em uma tigela e começo a misturar um pouco para amolecer. Depois, coloco o açúcar de confeiteiro aos poucos, caso contrário, ele espirra por toda parte (já me vi em nuvens brancas na cozinha). Adiciono o cacau, aos poucos, e depois a essência de rum e uma pitada de sal. Bato com a batedeira por cerca de 5-6 minutos, para ficar o mais fino possível. Se você tiver paciência, o creme fica realmente espumoso, mas nunca será como o com manteiga e ovo. Para mim, assim está bom, denso, chocolate. Não coloco o café na mistura principal, apenas na parte de decoração.
5. Montagem
Coloco 80% do creme sobre a massa molhada, diretamente na forma. Nivelar com uma espátula ou o fundo de uma colher, tentando não pressionar muito, apenas para cobrir uniformemente. O restante do creme eu guardo na geladeira, para decoração. Gosto de fazer riscos leves com um garfo na superfície, não por aparência, mas porque foi assim que vi minha mãe fazer.
6. Cortar e decorar
Porciono o bolo, geralmente em quadrados ou losangos. Retiro as peças com uma espátula larga, para não quebrá-las. Coloco em um prato (ou direto sobre papel, se for para a família).
7. A cobertura
O açúcar, o cacau e a água em fogo baixo, em uma panelinha. Misturo continuamente, para não grudar. Deixo ferver uma ou duas vezes, até engrossar um pouco (não precisa ficar como um pudim, mas como um molho mais espesso). Deixo esfriar por alguns minutos, depois despejo com uma colher sobre cada pedaço. Se você quiser uma camada fina, espalhe bem. A cobertura endurece sobre o bolo quando esfria completamente.
8. Decoração final
Na sobra de creme guardado, coloco uma colher de café moído (não solúvel). Misturo e decoro cada pedaço de bolo a gosto – um pico, uma linha ou simplesmente o quanto couber na ponta da faca. Coloco na geladeira por pelo menos uma hora, para o creme firmar e ser mais fácil de servir.
Dicas, variações e ideias de servir
Dicas úteis:
Não misture excessivamente a massa, não aumente a temperatura do forno ao máximo, porque a massa pode rachar feio. Se você testar o palito muito cedo, vai ficar nervoso, deixe assar bem, não mole. Para o creme, se você quiser que fique mais leve, pode adicionar 1-2 colheres de leite de amêndoas ou de soja. Tenha paciência para esfriar tudo antes de montar, caso contrário, o creme derrete instantaneamente e você vai espalhar como manteiga no pão.
Substituições de ingredientes e adaptações:
Serve com qualquer tipo de farinha branca. Para a versão sem glúten, eu tentei com uma mistura especial para bolos sem glúten, e ficou um pouco mais esfarelento, mas se manteve unido se eu coloquei mais calda. A margarina pode ser trocada por um manteiga vegana (mas não fica exatamente igual em sabor). Para quem não está em jejum, pode fazer também com manteiga, mas a textura fica mais densa, não tão “de jejum”. A essência de rum pode ser substituída por essência de amêndoa ou baunilha, para quem não suporta o aroma do rum, mas sinceramente, sem rum é outro bolo.
Variações:
Você pode colocar entre a massa e o creme um pouco de geleia azedinha (cerejas, damascos), não muito, para não pesar. Também já tentei com nozes moídas polvilhadas sobre o creme, para textura. Se você quiser que fique festivo, coloque frutas cristalizadas picadas ou flocos de coco por cima da cobertura, enquanto ainda não endureceu. A cobertura também pode ser feita com chocolate meio amargo derretido com um pouco de óleo em vez da versão clássica.
Ideias de servir:
O bolo é bem substancial, então uma fatia pequena vai bem com um café preto, sem açúcar, para equilibrar a doçura. Também combina com chá de frutas vermelhas, para não parecer tão pesado. Se você quiser impressionar, coloque cada pedaço em forminhas de papel, fica mais festivo. Eu também servi com chantilly vegetal ao lado (da versão de jejum), mas não é obrigatório. É bom também com compota gelada, se você sentir nostalgia. Uma porção vai bem como sobremesa após uma sopa leve e algum prato de legumes, para não ficar tudo pesado em uma refeição.
Perguntas frequentes
– Posso usar outro tipo de açúcar além do branco?
Sim, açúcar mascavo funciona, mas o sabor será um pouco diferente e a cor da massa mais escura. Para a calda, eu prefiro açúcar branco, porque o mascavo queima mais rápido e fica amargo.
– Se não tiver margarina em pacote, posso usar outra coisa?
Você pode tentar manteiga vegana (de mercado), mas não use margarina em caixa, porque é muito mole e o creme não vai firmar o suficiente. Se não for de jejum, manteiga gorda funciona, apenas deixe em temperatura ambiente.
– Como sei que a massa está assada?
Teste com um palito bem no meio. Se sair limpo, está pronto. Se sair com farelos úmidos, deixe mais 5 minutos. Fique atento para não secar demais, especialmente nas bordas.
– É possível fazer o bolo sem cacau, para não ficar amargo?
Sim, se você não colocar cacau, será uma massa simples, apenas que vai parecer mais com um bolo de jejum. O creme dá o sabor principal de qualquer forma.
– O que posso usar em vez da essência de rum, se não gosto?
Você pode colocar baunilha, raspas de laranja ou até café líquido na calda ou no creme, conforme suas preferências.
– O bolo resiste ao congelador?
Sim, cortado em pedaços, embrulhado em filme plástico e colocado no congelador, resiste até um mês. Ao descongelar, coloque na geladeira durante a noite, caso contrário, o creme muda de textura.
Valores nutricionais (aproximadamente, calculado para uma porção de 20, que é o que uma forma grande tem)
Um pedaço tem cerca de 270-300 calorias, com cerca de 40 g de carboidratos, 13 g de gordura e 3 g de proteínas. É rico em açúcar e gordura, não é uma sobremesa dietética, mas também não é algo que você come diariamente (embora pudesse, se não se importar com calorias). Para aqueles com intolerância à lactose ou veganos, é uma boa opção. Se fizer sem glúten, muda apenas a ingestão de fibras, dependendo da farinha utilizada. O creme tem bastante gordura, então sacia a fome, não precisa de duas fatias. Não tem nenhum aditivo estranho ou coisas processadas, se você usar margarina pura e cacau bom.
Como conservar e reaquecer
O bolo dura na geladeira cerca de 4-5 dias, coberto com filme plástico ou em uma caixa com tampa, para não pegar cheiro de outras comidas. Eu deixo em temperatura ambiente por 15-20 minutos antes de servir, para que o creme não fique muito duro. Se você fez demais e a massa secou após uns 3 dias, pode borrifar cada pedaço com 1-2 colheres de calda quente e deixar absorver por uma hora, ela volta a ficar macia. Não se reaquece como um panetone, não há necessidade de colocar no micro-ondas, a menos que você queira comer o creme mais mole. No restante, conserva bem também para piquenique ou no trabalho, não estraga rapidamente. Se você tiver pedaços com a cobertura rachada, não tem problema, o sabor continua bom. Eu, por exemplo, encontrei um pedaço esquecido na geladeira após 5 dias, e ainda estava delicioso, apenas um pouco mais firme o creme.
Assim eu faço, com todos os pequenos erros e improvisações. E nunca ficou na forma por mais de dois dias, não importa quantos estejamos à mesa.
Em uma tigela, misturamos farinha, açúcar, fermento em pó, cacau em pó e bicarbonato de sódio. Em outra tigela, misturamos água, óleo e vinagre. Despejamos a mistura líquida sobre a mistura sólida, mexendo suavemente com uma colher de madeira. A mistura é despejada em uma forma untada e enfarinhada. A forma é assada por 35-40 minutos em temperatura moderada. Retiramos a forma do forno e deixamos o bolo esfriar. Caramelizamos o açúcar em uma panela, adicionamos água, deixamos o açúcar queimado derreter completamente, desligamos o fogo e adicionamos essência de rum. Após o xarope esfriar, ele é despejado sobre o bolo e deixado para absorver por cerca de 2 horas. O creme é preparado no liquidificador, misturando margarina (em temperatura ambiente) com açúcar de confeiteiro, essência de rum e 3-4 colheres de sopa de cacau. Espalhamos 80% do creme sobre o bolo embebido (na forma). Nivelamos o creme, decoramos com um garfo e, em seguida, porcionamos o bolo. Colocamos os pedaços de bolo em um prato, decoramos com cobertura clássica (derreter o açúcar na água em fogo baixo, adicionar o cacau em pó e deixar ferver até engrossar ligeiramente). Na crema restante, adicionamos 1 colher de sopa cheia de café moído e decoramos os bolinhos. Refrigeramos o prato com os bolos por pelo menos 1 hora antes de servir (para firmar o creme de margarina). Bom apetite!
Ingredientes: Base: 3 xícaras de farinha 1 1/2 xícaras de açúcar 1 pacote de fermento em pó 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio 1 pitada de sal 2 xícaras de água 1/2 xícara de óleo 2 colheres de chá de vinagre 2 colheres de sopa de cacau Calda: 150 g de açúcar 250 ml de água 1 essência de rum Creme: 400 g de margarina Rama (no pacote) 300 g de açúcar de confeiteiro 4 colheres de sopa de cacau 1 essência de rum (além de 1 colher de sopa de café moído para o creme com o qual decoramos) Cobertura: 150 g de açúcar 1 colher de sopa de cacau 60 ml de água
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